Luiz Felipe Leprevost e o Butô de Mick Jagger

Luiz Felipe Leprevost, a revelação curitibana

Luiz Felipe Leprevost é ator, escritor, poeta, músico, dramaturgo e gosta de torta de limão, apostando ultimamente em cheesecakes. Nesse Festival de Curitiba duas peças são assinadas com sua inspiração: Hieronymus nas masmorras e o Butô de Mick Jagger. O primeiro título faz alusão ao nome do pintor holandês Hieronymus Bosch. Sobre a outra peça, que estará no Teatro da Caixa entre 30/03 e 03/04, confira a entrevista do Em Cartaz com Leprevost:

Como foi a criação do texto O Butô do Mick Jagger, que diga-se de passagem, tem um título bem curioso! Por que tem esse nome? O que te inspirou a escrever esse texto e teria algo, em essência, que gostaria de transmitir?

A primeira versão de O Butô do Mick Jagger foi escrita para uma encomenda, há mais ou menos três anos. A diretora Nina Rosa Sá queria encenar algum texto meu. Então martelei o computador e um universo se impôs. Eu, ao modo beatnik, vomitei a história de duas (ou uma?) estrelas decadentes do rock.

Ao longo dos anos, no entanto, voltei um sem-número de vezes ao texto. O que estou levando ao palco no Festival de Curitiba é o nono ou décimo tratamento. Reelaborei incansavelmente a estrutura inteira, escolhi palavra por palavra, tive grande preocupação com a síntese. E posso afirmar que O Butô do Mick Jagger de agora sofreu influência do dramaturgo e diretor Roberto Alvim, orientador do Núcleo de Dramaturgia do SESI/PR.

A peça tem tal nome porque contém uma apropriação explícita da dança japonesa, de seus fluxos e suas contorções ritualísticas de acesso ao reino dos mortos, às sombras, como também do universo pop sucateado que se vê no rock clássico, especialmente em dois de seus ícones: Mick Jagger e Kurt Cobain. A escritura do texto, o desenho dele na página, mimetiza a dança. Quero dizer, a forma como as palavras estão espalhadas ali sugerem ao leitor que são um corpo que está em ação. E foi daqui, do texto, que eu e as atrizes partimos, para logo ver tudo se complicar ainda mais na encenação.

Como está a expectativa para ao Festival de Curitiba?

Tento não ficar ansioso nem cultivar muitas ilusões. Sabe, tenho aproveitado bem os momentos, respeitando o tempo de cada coisa. Processos teatrais não são fáceis, conforme nos aprofundamos, lidamos com forças que não conhecemos bem. Mas para a aventura de agora não poderia estar melhor acompanhado. A cada dia fico mais entusiasmado com os ensaios, com a construção da peça. Conseguimos formar um grupo e tanto de criação. As atrizes (Ciliane Vendruscolo e Débora Vecchi) são talentosas e totalmente comprometidas com o trabalho. O que mais posso querer? Nossas apresentações serão no Teatro da Caixa, que tem ótima estrutura e, apesar dos poucos anos em atividade, tradição na cidade. Espero que o público venha assistir a peça e que o diálogo (que é o mais difícil) entre nós se dê realmente.

Tem planos para esse ano, seja na literatura, dramaturgia, interpretação?

Logo após o Festival, ainda em abril, será a vez do meu novo livro de contos Manual de putz sem pesares. O lançamento fará parte do ZOONA – encontro literário de Curitiba. Em maio ou junho, minha peça Hieronymus nas masmorras (também no Festival, teatro José Maria Santos, com direção de Roberto Alvim e Juliana Galdino no elenco) entra em cartaz em São Paulo, no teatro da Cia. Club Noir. No segundo semestre, possivelmente vou passar maior parte do tempo no Rio de Janeiro, dando sequência a alguns projetos que venho desenvolvendo em colaboração com a Pangéia Cia. de Teatro e seu diretor Diego de Angeli.  Isso, claro, se e a vida não me obrigar outros rumos.

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