De robótica a desenho nas mostras

O Museu da Gravura Cidade de Curitiba recebe cinco novas exposições e convidam o público a conhecer o universo criativo dos artistas Jack Holmer, Julio Leite, Pierre Lapalu e Ibrahim Roberson, e a apreciar uma mostra do acervo da Fundação Cultural de Curitiba com obras de Cildo Meirelles, Andy Warhol, Kiki Smith, Cláudio Mubarac, entre outros artistas de renome nacional e internacional. As exposições serão inauguradas hoje, 13, às 19h, e permanecem em cartaz até 20 de maio, com entrada gratuita.

Jack de Castro Holmer apresenta a sua arte robótica na exposição Ensina-me a te amar, que propõe uma reflexão sobre a relação afetiva entre homens e máquinas. Segundo ele, o crescente uso de tecnologias desperta diferentes sentimentos por todo o tipo de parafernália eletrônica. Para aprofundar essa experiência afetiva, Holmer desenvolveu dois robôs que têm a capacidade de retribuir o carinho que recebem a partir de estímulos de som, luz e toque.

Dividida em três salas, a exposição também é formada por duas instalações interativas. A obra Seres de Luz é composta por um painel com trezentos tamagochis (bichinhos virtuais) que serão cuidados pelo público. A instalação Planetárias reproduz a genética das planárias e simula o ciclo reprodutivo desses vermes por meio de um programa desenvolvido em código livre. Os quatro monitores instalados na sala funcionam como aquários, e o público presente poderá participar do processo de reprodução dos seres virtuais alimentando-os com o simples comando de um mouse.

“A percepção sobre os robôs na sociedade é muito diferente agora e isso deve gerar reações diferentes do público”, avalia Holmer, mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti e professor de Poéticas Tecnológicas da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. No seu currículo estão também várias exposições individuais e coletivas em arte digital, no Brasil e exterior.

Palavra e cor – Artista multimídia paraibano, Julio Leite traz a Curitiba um conjunto de obras que é resultado de suas mais recentes pesquisas com os elementos palavra e cor. Seus trabalhos contêm uma abordagem conceitual da Filosofia da Linguagem, evidenciando aproximação com a Teoria da Cor do filósofo alemão Wittgenstein, cujos elementos de metalinguística servem de base para o processo de representação que o trabalho sugere.

Nesta exposição, o artista apresenta uma pintura em formato de cartaz de rua, um vídeo e uma instalação com letras de publicidade. A pintura contém uma frase em que o artista pergunta: “Existe azul mais bonito que o meu?” A pergunta é pintada com letras amarelas sobre fundo vermelho. O artista responde à pergunta em um vídeo de sete minutos que mantém uma imagem fixa do mar em preto e branco com legenda em vermelho, enunciando a frase “Azul da cor do mar”.

Finalizando o ciclo da abordagem cromática ao azul, o artista apresenta uma instalação com letras de publicidade, formando uma palavra cruzada composta por letras das cores verde, amarelo, marrom, preto e vermelho, com a frase “Homenagem ao Azul”. As obras que compõem a exposição estabelecem a lógica de todo o processo do trabalho que ressalta o “azul”, que não estará presente como cor em qualquer das abordagens visuais, mas apenas na escrita como elemento de representação.

Impressões – A exposição Impressões, de Pierre Lapalu, trabalha a repetição como um processo de busca de imagens e significados (da plástica para a metáfora), dentro de uma pesquisa de relação entre o espaço expositivo e o desenho tradicional. O artista tem em seu currículo participações em várias coletivas. Nos últimos dois anos, circulou com sua exposição individual “O etnógrafo naif” em museus de Curitiba e no Instituto Cervantes, em São Paulo.

O desenhista, de Ibraim Roberson, é outra exposição a ser aberta nesta quarta-feira. Organizada com a Gibiteca de Curitiba, leva o visitante a observar todo o processo de elaboração e produção de páginas de quadrinhos para editoras como “Marvel” e “DC Comics”, desde a leitura do roteiro até a finalização da página. Todos os trabalhos apresentados na exposição são originais, incluindo os sketchbooks do artista e layouts não utilizados, inéditos.

A nova programação do Museu da Gravura se completa com a mostra Memórias e estratégias de circulação, com obras do acervo da Fundação Cultural de Curitiba. Estarão expostos trabalhos de Didonet Thomaz, Eldon Garnet, Alex Cerveny, Fernando Lopes, Cildo Meirelles, Andy Warhol, Sandra Ramos, Kiki Smith, Laura Miranda, Cláudio Mubarac e Miguel Casanova.

Desenhos de Ibraim Roberson

Serviço
Data: De 13/03 até 20/05/2013
Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados e domingos, das 12h às 18h
Local: Museu da Gravura Cidade de Curitiba – Solar do Barão (Rua Carlos Cavalcanti, 533)
Entrada franca

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.