Exposição de diferentes linguagens

Até o dia 17 de fevereiro o Museu da Gravura de Curitiba abriga, em uma das salas, seleção de obras assinadas por artistas brasileiros e estrangeiros, pertencentes ao acervo municipal. Paralelamente, acontecem as mostras individuais Inside, de Fabrizio Andriani, e O Curinga está morto, de Cyntia Werner.

Na mostra Autorretratos, livros de artista, construções e processos, organizada pela artista plástica e coordenadora do museu, Ana González, estão trabalhos de Lygia Pape, Helio Oiticica, Brice Mardem, Amílcar de Castro, Waltércio Caldas, Didonet Thomaz, Eldon Garnet, Alex Cerveny, Fernando Lopes, Cildo Meirelles, Andy Warhol, Sandra Ramos, Brice Mardem, Claudio Mubarac, Miguel Casanova, Luise Weiss e Poty Lazzarotto, selecionadas entre as 2.820 obras que integram o acervo do Museu da Gravura.

“A exposição reúne algumas das presenças importantes do acervo, afastando-se da tentativa de estabelecer uma linha única de conexão entre elas. As obras estão agrupadas em núcleos, com a intenção de iniciar pequeno levantamento de afinidades, relembrando a existência de parte dos numerosos tesouros que constituem esse acervo”, diz Ana González. Com essa iniciativa, a curadora pretende suscitar o interesse do espectador sobre o papel do Museu da Gravura de Curitiba na representação da produção artística histórica e contemporânea. “A intenção é manter as obras ativas no movimento contínuo do imaginário da cidade, para torná-las parte da vida das pessoas”, destaca.

Desenhos
O artista Fabrizio Andriani responde pela exposição Inside, composta por desenhos fortemente influenciados pelo universo das histórias em quadrinhos. “Este projeto é a consolidação de um estudo em torno da textura, técnica de preenchimento amplamente usada no desenho e explorada na gravura”, revela Flaviana Lima, que assina a apresentação da mostra.

A formação acadêmica em Gênova (Itália) garantiu a Andriani o apuro técnico como suporte para o desenvolvimento do traço livre. Como autor, o artista trabalhou inicialmente com grandes proporções, criando personagens zoo e antropomórficos, utilizando técnicas do muralismo, do expressionismo e da arte de protesto. No entanto, todo esse repertório técnico e conceitual acabou somando-se ao gosto pelo super-herói, advindo das leituras de comics e à intensa convivência cultural com o quadrinho europeu, sobretudo Moebius, Andrea Pazienza e Tanino Liberatore, sendo esses dois últimos suas principais influências. A mais recente atividade de Andriani foi a coordenação e curadoria da Gibicon – Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba, no último mês de outubro.

Pesquisa
Cyntia Werner reúne instalações, objetos e gravuras, sob o título O Curinga está morto. “Os trabalhos que compõem a exposição procuram discutir a questão do jogo e a relação dele com as regras que lhe são inerentes. Partindo da figura emblemática do Curinga como uma carta do jogo de baralho, procuro questionar a relação da ordem e do caos que se apresenta na atividade lúdica, uma vez que essa carta pode substituir qualquer outra do baralho e, assim, facilmente estabelecer o caos no jogo”, explica Cyntia.

Para elaborar as obras, que utilizam imagens de brinquedos, a artista pesquisou diversas linguagens e suportes, entre eles gravura, escultura, instalação e objeto, sendo que todos possuem um caráter referencial de jogo. “Pronunciando a morte do Curinga, procuro apresentar novas possibilidades de não lugares, uma vez que, anunciado o fim do caos, anunciamos também o fim da ordem no ambiente do jogo”, diz a artista.

Obra de Cyntia Werner

Serviço
Exposições no Museu da Gravura de Curitiba
“Autorretratos, livros de artista, construções e processos” – com obras do acervo do Museu da Gravura de Curitiba.
“Inside” – mostra individual do artista Fabrizio Andriani.
“O Curinga está morto” – mostra individual da artista Cyntia Werner.
Data: Até 17/02/2013
Horário: De segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e 13h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h
Local: Solar do Barão
Entrada franca

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.