Crítica: Antes Que Eu Vá


Nesta quinta-feira, 18, estreia o novo filme Antes Que Eu Vá (Before I Fall) baseado no livro de mesmo nome de Lauren Oliver. A nova adaptação cinematográfica conta com a direção de Ry Russo-Young (Caminho Para O Coração) e trata da adolescência que é um misto de futilidade com problemas sociais.
Samantha Kingston (Zoey Deutch) uma jovem popular de classe média alta, bonita, carismática, de família bem estruturada, com um namorado e amigas inseparáveis formadas por Lindsay (Halston Sage), Ally (Cynthy Wu) e Elody (Medalion Rahimi). Mas tudo muda na vida de Sam quando ela sofre um acidente após uma festa. Agora ela tem a chance de mudar os rumos de sua vida, só que para isso ela precisa encontrar o que está errado.


Personagem presos em um looping temporal são comuns nos filmes e por isso Antes Que Eu Vá não é original e trata da mesma temática com um personagem que tem a chance de mudar. Apesar de sabermos que a personagem principal está vivendo o mesmo dia e isso só termina quando ela descobrir o que precisa ser alterado, a repetição de cenas e o texto sem aprofundamento fazem com que os loopings sejam um problema e deixam o público cansado. Não vemos uma mudança real acontecendo na tela durante as sete tentativas de Sam.
Apesar do filme e o livro tratarem dos problemas típicos da adolescência como bullying, alcoolismo, exposição sexual a adaptação cinematográfica é mais rasa. O roteiro não consegue passar a mesma profundidade do livro e alguns cortes são sentidos que dariam mais emoção ao enredo. Entre as mudanças mais sentidas está a morte de Elody, uma das melhores amigas de Sam – quando Sam persegue Juliet pela floresta e assiste a menina se joga na frente do carro de Lindsay e com isso quem acaba falecendo é Elody que está sentada no mesmo lugar em que Sam costuma sentar. A outra mudança é a exclusão de um triangulo amoroso formado por Alex, Bridget e Anna. Enquanto os dois primeiros nomes nem aparecem no filme, a personagem Anna sofre bulling por ser homossexual e não pela fama de destruidora de relacionamentos.


O longa-metragem, provavelmente, funcionará bem para um público específico: os adolescentes. A identificação entre o público e a história se dá principalmente pela atuação de Zoey Deutch (Tinha Que Ser Ele) que consegue transmitir as emoções complexas de sua personagem, tudo com muito carisma. Além da protagonista, outra personagem que se destaca é a garota popular e mandona Lindsay interpretada por Halston Sage (Cidades de Papel) que esconde suas inseguranças com atitudes inconsequentes. O restante do elenco apenas tem uma atuação mediana, contudo lena Kampouris que interpreta Juliet, uma garota perseguida pelo grupo de meninas e com problemas de adaptação social possui atitudes e interpretações exageradas que se torna engraçada e não preocupantes como deveria ser.
Os filmes adolescentes costumam ter uma trilha sonara boa e Antes Que Eu Vá não é diferente. As músicas escolhidas dão o tom necessário em cada cena. Já o mesmo não pode ser dito dos figurinos e cenários, não houve uma preocupação para que o filme não se tornasse repetitivo e os itens acabam sendo estereotipados e repletos de clichês.


Antes Que Eu Vá possui inspirações em filmes como “Meninas Malvadas”, que tem um grupo de meninas populares que menosprezam os demais. O enredo não é novo e os loppings exagerados chegam a irritar o espectador mais velho, contudo não podemos esquecer que é um drama juvenil com público específico. Para os adolescentes atuais a moral da história é interessante e é preciso discutir os problemas sociais em época de Baleia Azul.
Assista o trailer:

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor

Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.