Crítica: Coringa

Está chegando um dos filmes mais esperados do momento. Depois de ser aplaudido de pé por oito minutos no Festival de Veneza chegou a hora de conhecermos mais a história desta figura dos quadrinhos. O longa Coringa traz Joaquin Phoenix no papel do vilão de Gotham City.

Coringa analisa um personagem já conhecido dos quadrinhos, mas mostra uma face que não costuma ser tão explorada: sua origem. Durante duas horas, o espectador mergulha na mente de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) para tentar entender o vilão de Batman. Na busca por está identidade é possível acompanhar o drama vivido pelo comediante fracassado que enfrenta problemas mentais como não controlar o riso.

Dirigido por Todd Phillips (Nasce Uma Estrela) a adaptação da origem do antagonista do Batman tem dividido opinião. O longa não é um filme tradicional de adaptação dos quadrinhos, Coringa é muito mais profundo e inquietante. O diretor se preocupou em situar bem o tempo do filme e não se prender no universo dos heróis, por isso não há grandes referências ao universo do Batman, somente o nome da cidade e a Família Wayne. Acredito que este tenha sido um dos maiores acertos do filme, apresentar Coringa não como um vilão, mas como uma pessoa psicologicamente problemática.

Joaquin Phoenix teve a responsabilidade de dar vida a um dos vilões mais famosos das histórias em quadrinhos e ao mesmo tempo se diferenciar de Heath Leadger, que ficou muito marcado no papel. Entretanto, Joaquin realmente agarrou o personagem e entregou uma das suas melhores atuações dando vida a um personagem perturbador que mistura o humor sombrio com o drama. A atuação e entrega do ator faz com que ele seja um dos possíveis indicados ao próximo Oscar.

O filme não é para qualquer um, nos Estados Unidos a censura é de 18 anos e aqui no Brasil 16 anos, contudo o longa-metragem é perturbador, não só pelo excesso de violência, mas por questões psicológicas. Nos EUA o filme, apesar de sucesso na bilheteria, preocupou os cinemas que reforçaram a segurança das salas para que não se repita do atentado de 2012 – quando 12 pessoas morreram durante a pré-estreia de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Coringa é realmente perturbador e violento e é preciso ter cautela ao assistir, pois a forma como humanizam o vilão pode ser considerado irresponsável se quem assistir ao filme não tiver um certo dissentimento, por isso é preciso que a censura seja realmente levada a sério.

Se você está esperando uma história estilo DC Comics irá se decepcionar. Coringa não é uma mera adaptação de HQ, o filme é muito mais do que isso, ele é realmente subversivo e faz uma crítica à sociedade.

Assista o trailer:

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.