Crítica: Encontros

Está chegando aos cinemas o novo filme francês Encontros. Apesar do pôster deixar a entender que é um filme de comédia romântica, a nova aposta do diretor Cédric Klapisch é muito mais do que isso, o longa apresenta como algumas situações interferem em nossa vida e nossas relações.

Em Encontros acompanhamos a rotina de dois jovens Rémy (François Civil), que foi para a cidade grande e não está contente com seu trabalho se sentindo solitário, depressivo e sem objetivos. Já sua vizinha, Mélanie (Ana Girardot) não acredita mais em si mesma depois de uma desilusão amorosa ela busca viver intensamente sem se importar com os outros. O que os dois tem em comum? Além de serem vizinhos de prédio, o sentimento de solidão os persegue.

O diretor Cédric Klapisch (O Enigma Chinês) desconstrói a ideia clichê de comédia romântica. Se na primeira parte do filme acreditamos que a tensão inicial é de que Mélanie e Rémy irão se encontrar, no decorrer percebemos que a história não é um enredo simples e que ele busca mostrar mais sobre os sentimentos e o drama da solidão. Em Encontros o que menos temos é o encontro entre um casal, mas o entendimento da solidão e como ela pode auxiliar o autoconhecimento.

O roteiro, que também é escrito por Cédric, é bem pensado e por assumir as duas funções isso ajuda na hora de apresentar as histórias paralelas. O longa aposta no diálogo e em colocar os personagens em situações que algum momento irão se encaixar, mas tudo isso tem ainda mais valor quando analisamos as preocupações técnicas. Encontros aposta em questões sutis como o enquadramento que conta com quebras da quarta parede e em cenas que dão a sensação do espectador estar em cena acompanhando de longe. Outro detalhe que enriquece a história é a preocupação visual relacionada ao vestuário dos personagens que vai se modificando e as cores de cada um como espelho da situação e da sua personalidade.

Os dois atores jovens escolhidos encaram bem seus papéis solitários. François Civil (Five) interpreta bem um homem de 30 anos que já se acomodou com a situação e que vive cada dia sem questionar. Já Ana Girardot (O Homem Ideal) traz uma jovem que sofreu com a separação e que agora quer curtir a vida sem se preocupar com as consequências. A química de François e Ana é algo interessante, eles já haviam atuado juntos em O Que Nos Liga, mas a relação entre eles agora se intensifica apesar dos personagens não se encontrarem durante boa parte da história, mas suas interpretações são complementares.

Encontros levanta questões atuais como a solidão mesmo estando sempre conectados ao mundo. Sendo assim, o longa-metragem não é uma referência a um casal romântico, o foco é o nosso encontro como indivíduo.

Assista o trailer:

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.