Crítica: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas


Chega aos cinemas o novo longa do diretor Luc Benson, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. A ficção científica foi baseada nos quadrinhos franceses “Valerian et Laureline”, criada pelo artista Jean-Claude Mézières e o escritor Pierre Christin. O longa-metragem que tinha promessa de ser um novo Quinto-Elemento deixou a desejar com uma trama rasa e previsível, salvando apenas os efeitos-especiais.
Valerian e a Cidade dos Mil Planetas se passa no século XXVIII com diversos avanços tecnológicos. A Cidade dos Mil Planetas, Alpha, inicialmente era uma estação espacial em órbita na atmosfera da Terra, mas com seu crescimento ela foi afastada da Terra. Alpha se transformou em uma cidade que abriga uma variedade de etnias e sociedades que procuram coexistir em paz. Em paralelo, temos o paradisíaco planeta Mül, com habitantes que lembram o Avatar, que é invadida e agora precisam contar com Major Valerian (Dane Dehaan) e Sargento Laureline (Cara Delevingne)– agentes do tempo – que lutam para proteger a harmonia.


Para Luc Benson dirigir um filme baseado nos quadrinhos franceses é uma espécie de homenagem já que seu pai o presenteou, ainda criança, com uma edição do HQ “Valerian”. O diretor francês tenta trazer diversos elementos cinematográficos para uma mesma produção e com isso  erra ao querer se inspirar demais em filmes americanos como Avatar e Star Wars. São tantas referências que o público tem a impressão de estar em um Déjà vu.
Valerian e a Cidade dos Mil Planetas têm quase duas horas e vinte minutos, e com tanto tempo ele se torna confuso. Besson, que alem de diretor também assina o roteiro, peca ao apostar em um romance sem liga, piadas sem graça e diversas explicações intermináveis que vão deixando o espectador entediado. Talvez o maior acerto esteja ainda nas cenas iniciais quando diversos lideres interplanetários se encontram, na estação espacial, selando a paz.
Este filme é um dos projetos mais ambiciosos do diretor Luc Besson e é considerado um dos maiores investimentos feitos em um longa-metragem francês. Esta aposta fica clara na aplicação e preocupação com os gráficos e efeitos especiais. Se Valerian não possui inovação em sua história, a tecnologia investida traz um colorido deslumbrante e faz com que seja possível o espectador se transportar para o mundo fictício e isso deva agradar principalmente o público jovem. Outro detalhe técnico que precisa ser lembrado é a preocupação com a trilha sonora. Os louros são do compositor Alexandre Desplat que consegue criar um clima que representa melhor a história do que o próprio roteiro.


A produção cinematográfica escolheu os jovens atores Dane Dehaan (O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro)e Cara Delevingne (Cidades de Papel) como casal principal, mas não deu química e eles não conseguem entregar a carga sentimental necessária para os personagens. O herói Valerian esta mais para um filme de comédia do que uma ficção científica e Cara Delevingne oferece mais do mesmo. O maior chamariz do filme é a popstar Rihanna (Battleship: A Batalha dos Mares), ilustrando diversos cartazes de divulgação, contudo sua participação é apenas jogada de marketing já que sua personagem não tem grande destaque ou propósito.
Valerian e a Cidade dos Mil Planetas irá agradar ao público infanto-juvenil que gosta de ver filmes mirabolantes, com história sem aprofundamento e jovens atores. É uma pena que os gráficos e a fotografia bem elaborados não conseguem segurar a produção francesa.
Assista o trailer:

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor

Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.