Crítica:O Touro Ferdinando


No período das férias escolares o cinema fica recheado de filmes para as crianças. Chega aos cinemas “O Touro Ferdinando”, do estúdio Blue Sky, com direção do brasileiro Carlos Saldanha. A animação é baseada no livro da década de 1930, escrita por Munro Leaf e ilustrado por Robert Lawson, que marcou gerações. O novo longa-metragem busca resgatar o tom do curta-metragem produzido pela Disney com narrativas bem infantis.
Touro Ferdinando é um clássico e seu livro já foi traduzido para 60 idiomas. Agora a história chega às telonas e apresenta Ferdinando, um bezerro que vivem em um rancho na Espanha e que não se interessa pelas mesmas coisas que os outros. Enquanto os demais animais passam o dia batendo suas cabeças, brigando e sonhando com o futuro em que irão participar de grandes touradas, Ferdinando gosta de apenas de cheirar flores e é totalmente contra a violência. Ainda pequeno, os outros bezerros zombam dele e o chamam de covarde, e após passar pelo grande trauma de perder seu pai em uma tourada, ele consegue escapar e acaba sendo acolhido por uma garotinha e seu pai que o tratam com muito carinho como se fosse um membro da família. Ele cresce e se torna um bonito touro, e acaba voltando para seu rancho e lá ele precisa viver uma nova aventura para provar que não precisa de violência para mudar os rumos da história.


O novo filme conta com direção de Carlos Saldanha (Rio) que apresenta uma arte visual voltada para as cores, com trações simples que se focam na história. O roteiro ameniza a história, para aqueles que leram o livro, contudo a leveza agrada os pequenos com um humor doce e sensível. Entretanto, O Touro Ferdinando mantem reflexões sobre machismo, sociedade patriarcal e violência desnecessária presentes nas touradas espanholas.
A grande estrela é sem dúvida o Touro Feridnando, mas os personagens coadjuvantes funcionam como apoio fundamental e alívio cômico como é o caso da cabra louca e os porcos-espinhos. O roteiro levanta sempre a questão de respeitarmos as diferenças e aceitarmos os outros como eles são. Uma das coisas que mais me agradou no filme é deixar a imagem falar por si só sem a necessidade de um diálogo expositivo como quando um personagem morre e a cena do vazio faz com que o espectador entenda o que aconteceu.


O Touro Ferdinando foi indicado ao Globo de Ouro e com certeza estará na lista do oscar. O filme traz uma inocência para a animação e as crianças irão se encantar e absorver as mensagem emocionais que o filme passa como o bullying e a necessidade de sermos como queremos.
Assista o trailer:

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.