Lúcia Murat conversa na Caixa Cultural

Hoje, 08, a CAIXA Cultural Curitiba traz a cineasta Lúcia Murat para o segundo encontro do projeto Juliette convida. A diretora carioca, conhecida por realizar filmes de fundo político, com base em suas histórias pessoais de militante em conflito com o regime militar brasileiro, conversa com o público sobre cinema e memória.  Durante o evento, será exibido o making off do seu mais novo longa-metragem, A memória que me contam, que chega aos cinemas em junho.

Desde os anos 1980, Lúcia Murat atua como diretora, roteirista e produtora de cinema. Na adolescência, Lúcia se envolveu com o movimento estudantil, e, após a decretação do AI-5, integrou a organização MR8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro). Foi presa por três anos e meio e torturada. Seu primeiro longa-metragem, Que bom te ver viva, de 1989, reflete as experiências vividas por ela e outras mulheres durante a ditadura militar. A mistura de depoimentos documentais com cenas ficcionais vividas pela atriz Irene Ravache rendeu a Lúcia os três principais prêmios na edição daquele ano do Festival de Brasília.

O tom crítico e denunciativo marcou suas obras posteriores. Doces poderes, de 1997, retrata uma jornalista de política que recebe pressões em seu trabalho durante um ano de eleições. Brava gente brasileira, de 2000, fala da relação conflituosa entre portugueses e índios durante o período da colonização brasileira. Quase dois irmãos, de 2004, mostra o encontro de dois amigos de infância – um preso político e um traficante – em uma penitenciária. No documentário Olhar estrangeiro, de 2006, Lúcia analisou a forma distorcida como o Brasil é visto pelo cinema internacional. Maré, nossa história de amor, de 2007, adaptou “Romeu e Julieta” para a favela carioca. Seu último filme exibido nos cinemas foi Uma longa viagem, de 2011. Um de seus trabalhos mais pessoais, o filme recebeu os prêmios de melhor longa-metragem brasileiro e de melhor ator no Festival de Gramado.  Atualmente, a realizadora concentra suas atenções na estreia do longa A memória que me contam, estrelado por Simone Spoladore, cuja personagem é inspirada na guerrilheira Vera Silvia Magalhães.
Juliette convida
Idealizado por Josiane Orvatich e Murilo Wesolowicz, o projeto Juliette convida tem como objetivo promover encontros com importantes cineastas brasileiros. Cada edição traz um trabalho audiovisual de curta duração escolhido pelo convidado, seguido de um debate com o público sobre um tema proposto pelos realizadores do evento. A estreia do projeto, em 13 de março, lotou o Teatro da Caixa ao trazer o diretor gaúcho Jorge Furtado – de Meu tio matou um cara e Ilha das Flores –, que proporcionou um debate enriquecedor sobre cinema e invenção de linguagem, com mediação de Josiane Orvatich.

O projeto Juliette convida é realizado bimestralmente, na segunda quarta-feira de cada mês. Os próximos encontros serão realizados nos dias 10 de julho. 11 de setembro e 13 de novembro, sempre às 20h.

Serviço
Juliette convida – Lúcia Murat
Data: 08/05/2013
Horário: 20h
Local: CAIXA Cultural Curitiba (Rua Conselheiro Laurindo, 280)
Entrada franca. Os ingressos serão distribuídos na bilheteria do teatro a partir das 19h
Classificação etária: 14 anos

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.