Grupo Corpo

Créditos: Jose Luiz Pederneiras

Créditos: Jose Luiz Pederneiras

O Grupo Corpo vem a Curitiba para uma única apresentação na próxima sexta-feira, dia 4, às 21 horas, no Guairão. O primeiro programa duplo inédito levado à cena pelo Grupo Corpo desde 1991 – feito especialmente para celebrar os 40 anos da maior companhia particular de dança contemporânea do país – começa com “Suíte Branca”, com música assinada por de Samuel Rosa e coreografia de Cassi Abranches. Na segunda parte será apresentada “Dança Sinfônica”, com música de Marco Antônio Guimarães e coreografia de Rodrigo Pederneiras. Os dois balés têm cenografia de Paulo Pederneiras, figurinos de Freusa Zechmeister e iluminação assinada a quatro mãos por Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras.

“Suíte Branca”, o balé de abertura do programa que celebra os 40 anos de atividade do Grupo Corpo, marca a estreia na companhia, como convidada, da jovem coreógrafa paulista Cassi Abranches. Entre ondulações de braço e quadril, movimentos pendulares, suspensões e muitas intercorrências de chão, é possível reconhecer, ao longo dos 30 minutos do balé, os traços distintivos do Grupo Corpo que há tanto tempo habitam o nosso imaginário, ao mesmo tempo em que se percebe a presença de uma inequívoca alteridade.

Vestidos de branco do princípio ao fim do balé, movimentando-se sobre um linóleo láteo, e tendo ao fundo um painel, que pouco a pouco revela as saliências e reentrâncias de uma estrutura que sugere uma geleira gigantesca, os 21 bailarinos do Grupo Corpo percorrem o engenhoso emaranhado de temas composto por Samuel Rosa.

Vocalista, guitarrista, compositor e líder do Skank – outro ícone da cena musical mineira –, Samuel Rosa (em sua primeira incursão como colaborador do Grupo Corpo) constrói a trilha, 100% instrumental, de Suíte Branca – que mescla psicodelia e circo, Jamaica e Minas Gerais, levadas mântricas em compasso de valsa e distorções cáusticas de guitarra, e fazem alusões discretas a bandas legendárias dos anos 60 e 70, como os Beatles e o Clube da Esquina.

Decidido a fazer de “Dança Sinfônica” uma obra memorialista, Paulo Pederneiras passou meses a fio debruçado na tarefa hercúlea de levantar os acervos fotográficos particulares de rigorosamente todas as pessoas que passaram pela história ou exerceram algum tipo de influência sobre a trajetória do Grupo Corpo ao longo desses 40 anos. De alguns milhares de flagrantes fotográficos – informais e, em sua imensa maioria, amadores – coletados por ele, nada menos que 1080 compõem o painel cenográfico de 8m x 16m que ambienta o espetáculo.

A harmonização de um canto tradicional da liturgia católica romana que remonta a um tempo onde a música coral religiosa não utilizava harmonia nem contraponto é apenas uma entre as muitas licenças poéticas, citações, superposições, subversões e transcriações que o uakti Marco Antônio Guimarães irá processar ao longo dos 42 minutos da trilha que compôs para “Dança Sinfônica”.

Diretor musical, arranjador, autor mais recorrente e criador dos instrumentos que fizeram do Uakti Oficina Instrumental um grupo sem paralelos na história recente da música, Marco Antônio Guimarães escreve sua quinta e mais arrojada trilha para o Grupo Corpo: “Dança Sinfônica”, uma teia de temas milimetricamente tecida para a formação da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais com a sonoridade exótica de alguns dos mais de cem instrumentos construídos por ele para Uakti.

Concebido por Paulo Pederneiras, diretor artístico e o grande arquiteto das criações da companhia desde os seus primórdios, o programa comemorativo é marcado pelo contraste entre os dois grandes veios que abasteceram o processo artístico do Corpo – o erudito e o popular – e pela reafirmação da profunda conexão com a identidade cultural mineira que contribuiu para fazer de uma parte significativa de sua obra um patrimônio universal.

E assim, abrindo espaço para a expressão do talento de uma coreógrafa de uma nova geração, numa clara demonstração de que tem os olhos bem voltados para o futuro, e descrevendo, ao mesmo tempo, um arco para trás que contempla o passado através de uma pungente releitura cênica de seu percurso, o Grupo Corpo cumpre o ciclo de 40 anos de uma existência pra lá de bem vivida e acena com a perspectiva de novos rumos.

SERVIÇO
Grupo Corpo
Data: 04 de dezembro (sexta-feira)
Horário: 21h
Local: Guairão (Praça Santos Andrade, s/n – Centro)
Ingressos: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia)
Classificação: livre
Informações: (41) 3315-0808

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