A diversidade cultural apresentada pela Turma da Mônica

A Turminha da Mônica está de volta aos palcos e traz um espetáculo bem brasileiro para o Teatro Positivo. Neste final de semana, dias 21 e 22 de setembro, a nova superprodução do Circo Turma da Mônica apresenta “Brasilis”, com produção e direção de Mauro Sousa, foca na diversidade cultural  com a presença de Fafy Siqueira e da cantora Paula Lima.

Os personagens mais queridos da obra de Maurício de Sousa interagem com a atriz Fafy Siqueira, que interpreta a Vó Dita” – inspirado na avó do Chico Bento.

O espetáculo musical tem dois elementos importantes. A cantora Paula Lima soltará a voz, ao vivo, nas canções inéditas ao longo do espetáculo. As músicas criadas nos estúdios da MSP ganharam ainda mais destaque com a parceria com o Olodum que gravou os batuque da trilha sonora.

O Em Cartaz conversou com o diretor e produtor Mauro Sousa sobre o espetáculo “Brasilis”, mas também conversamos sobre os 60 anos da Maurício de Sousa Produções e a sua relação com o universo criado pelo seu pai, Maurício de Sousa. Confira:

O espetáculo Brasilis está sendo muito elogiado por abordar a diversidade cultural. Como surgiu a ideia de montar este espetáculo que é uma homenagem ao Brasil e ensina o público a respeitar a diversidade?

Este é um espetáculo produzido para as famílias, para as pessoas de todas as idades. Todos os projetos da Mauricio de Sousa Produções possuem um cunho educacional e pedagógico, então, para este espetáculo, escolhemos a “diversidade cultural” como nosso tema principal, justamente por sua relevância e importância nos dias de hoje. Para falar de diversidade cultural, precisamos falar sobre nossas principais origens: européia, africana e indígena, e por isso, nosso espetáculo gira em torno, principalmente, dessas culturas. Reproduzimos tudo isso de maneira leve, lúdica e respeitosa.

Entendemos que não há melhor momento que este para falar de diversidade cultural. As pessoas estão engajadas nas suas causas e crenças e procuram por representatividade. Queremos dialogar com o nosso público sobre essa temática e acreditamos que a cultura e a arte são ferramentas fundamentais para isso, propiciando o desenvolvimento da sociedade e a formação de bons cidadãos.

O espetáculo teve uma pesquisa profunda com grupos de diversidade para ajudar no discurso do espetáculo? Qual o maior desafio em trazer este tema de uma forma que atraia o público infantil e que a mensagem seja difundida por eles?

Para falarmos sobre a cultura indígena de maneira correta e respeitosa, fizemos uma pesquisa intensa e uma imersão profunda nos seus costumes e valores. Para isso, visitamos aldeias e tivemos a ajuda de diversos indígenas no processo criativo, com destaque da Katú Mirim, indígena ativista que enriqueceu e contribuiu muito para o espetáculo.

Também fizemos muitas rodas de bate papo com colaboradores da MSP e com Rafael Calça, ilustrador e roteirista negro responsável pela HQ de apresentação da personagem Milena e sua família e do Jeremias Pele, que contribuiu muito com as causas levantadas pelo movimento negro no País e cultura africana.

O desafio foi criar um roteiro divertido para falar sobre um assunto complexo. Pra ajudar, era importante criar um espetáculo interessante, grandioso, com grandes cenários, tecnologia, figurinos incríveis, com muitas luzes e muitos efeitos especiais.  O resultado disso tudo se mostra no público, que se prende ao espetáculo e entende o recado. 

O espetáculo Brasilis é muito musical, além de ter a presença da cantora Paula Lima, temos também a contribuição do Olodum. Como surgiu a ideia de unir estas figuras tão importantes para a nossa cultura e misturar com o universo da Turma da Mônica?

Sempre acompanhei e fui fã do trabalho da Fafy Siqueira e, para interpretar a Vó Dita, precisávamos de uma atriz com um bom tempo de comédia, mas que também trouxesse a carga dramática para quando falássemos de assuntos mais sérios. A Fafy se encaixou perfeitamente em todos esses requisitos.

Sou fã da voz de Paula Lima e no espetáculo, queríamos uma cantora mulher, negra, com presença, com uma voz autêntica, empoderada e que trouxesse bastante representatividade. Escolhi a pessoa certa. Ela canta ao vivo no espetáculo e não há quem não se emocione.

As canções foram todas criadas dentro do estúdio da Mauricio de Sousa Produções e a trilha sonora tem a força da batida dos tambores do Olodum, que trouxe o ingrediente especial que estávamos buscando, afinal de contas, eles têm a alma brasileira em suas músicas.

Com tantos nomes incríveis, não tinha como dar errado.

Pela primeira vez, temos uma personagem negra da Turma da Mônica nos palcos. O Brasil é um país diverso, já temos personagem em cadeira de roda, japonês e será que logo mais teremos um personagem que defenda a bandeira LGBT?

Sim, está nos nossos planos. Estamos criando, inclusive, um comitê de diversidade na MSP para que todos os funcionários estejam mais informados e conscientes a respeito dos assuntos de diversidade e para que tenhamos conteúdos apropriados nos nossos projetos sobre os temas. No entanto, o personagem LGBT ainda é um assunto muito inicial. Não temos uma previsão de quando isso acontecerá e nem de qual turma ele fará parte, mas estamos em um processo evolutivo.

O ano de 2019 é muito importante para a Mauricio de Sousa Produções com a comemoração dos 60 anos da Turma da Mônica. O espetáculo teatral, o filme, uma exposição em homenagem ao Mauricio de Sousa e gibis especiais como a Turma da Mônica Geração 12 foram lançados. Teremos ainda mais novidades para comemorar esta data? O que você pode adiantar?

Vamos inaugurar em meados de Novembro, mais uma Estação da Turma da Mônica, que é um projeto de parques de diversões menores (de até 2000m2) . Já temos uma em Goiânia e uma em Olinda e a próxima será no Rio de Janeiro, na barra. Estamos muito empolgados!

Além disso, também oficializamos neste ano em uma coletiva de imprensa, o endereço no novo Parque da Mônica, que será em Gramado, no Rio Grande do Sul. Ou seja, além de São Paulo, também teremos um Parque da Mônica na região sul.

A Turma da Mônica é importante para diversas gerações. Mas gostaria de saber o que está turminha representa para você, filho do Mauricio de Sousa?

Representa o meu passado, já que fui educado com a Turma da Mônica e ela sempre esteve presente na minha infância; representa o meu presente, já que trabalho com muito amor e carinho com esses personagens; e representa o meu futuro, já que pretendo continuar com eles para sempre.

Serviço

Data: 21 e 22/09/2019

Horário: Sábado, às 16h e domingo, às 11h

Local: Teatro Positivo (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300– Campo Comprido)

Ingresso: De R$37,50 a R$150

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.