Curitiba no Tempo do Jazz Band

O Sesc Paço da Liberdade recebe o jornalista Adherbal Fortes de Sá Júnior para uma tarde de autógrafos do lançamento do livro “Curitiba no tempo do Jazz Band”. Editado pela Artes & Textos, o livro usou parte da pesquisa realizada para o projeto cultural “Vestido Branco, Uma Aventura Musical”, assinado por ele em parceria com a jornalista Miriam Karam. “Não é um livro histórico, mas é um livro de muitas histórias da música produzida em Curitiba e dos músicos que ajudaram a escrever a história da cidade com notas musicais”, resume Adherbal.
O recorte histórico de “Curitiba no tempo do Jazz Band” retrata o ciclo do café, que começou no início do século passado e atingiu o seu auge na década de 1960. Além de uma explosão demográfica e de desenvolvimento social para o Paraná, a economia cafeeira também influenciou o cenário musical de Curitiba, onde passaram a brilhar grandes instrumentistas, compositores e cantores.
Curitiba passou a ser um grande centro musical. “Havia bons músicos e orquestras bem afinadas. Cada emissora de rádio tinha orquestra e conjunto regional. Clubes, cafés, restaurantes e hotéis procuravam músicos. A demanda maior era das casas noturnas, que se multiplicavam no centro da cidade. A cena ganha efervescência durante um quarto de século, que começou em 1950, com a eleição de Getúlio Vargas, e as festas do centenário da emancipação política do Paraná. A festa de jazz e bossa nova só perdeu o brilho quando a geada negra de 1975 devastou praticamente a totalidade dos pés de café existentes no estado”, conta o autor.
Raul de Souza, que trocou o trombone de válvula pelo de vara e foi considerado pela revista DownBeat um dos maiores do mundo, faz parte das histórias contadas no livro. Ele era um dos 20 músicos do Rio de Janeiro que, no final dos anos 50, foram recrutados para formar a Banda da Base Aérea da Aeronáutica em Curitiba. Durante o dia, os “cariocas” tocavam dobrados militares. À noite, tiravam o uniforme para formar a Orquestra 14 Bis para tocar bebop e cool jazz nas rádios Guairacá e Clube Paranaense.
A 14 Bis concorria com as orquestras de Genésio Ramalho e Angelo Antonello nos bailes da cidade. Já a orquestra do maestro Beppi (Giuseppe Bertollo) era exclusiva da Caverna Curitibana, imenso “taxi-girl”, com salão de 600 metros quadrados, que funcionava no porão do Clube Curitibano.
No livro, Adherbal também relata as carreiras de Breno Sauer, que montou um quinteto inspirado no vibrafone do Modern Jazz Quartet e fez sucesso em Curitiba e São Paulo (Boate Oasis, Baiuca e La Vie em Rose), seguindo depois para o México e Estados Unidos, e de Gebram Sabbag, que Luizinho Eça e outros craques consideravam o maior jazzista do Brasil. Mesmo com esse título, Sabbag nunca aceitou convite para sair de Curitiba. “O livro pretende homenagear a arte desses músicos que nasceram ou escolheram Curitiba para palco de seu talento”, enfatiza o jornalista.
A pesquisa original para o projeto “Vestido Branco” e que foi usada para a redação do livro consumiu oito anos de trabalho. As 300 entrevistas com músicos, empresários da noite e frequentadores das rodas de jazz e bossa nova foram feitas por por Susy Murakami, Felipe Laufer e Murilo Alves Pereira. O resultado revelou que o Brasil musical de 1960 era um arquipélago, sem comunicação entre as suas ilhas. Raros talentos deixavam Curitiba para tentar o sucesso no Rio de Janeiro ou em outros centros, como aconteceu com o Quarteto Bitten-4, liderado por Palminor Rodrigues Ferreira, o Lápis, que se apresentou para uma plateia de 30 mil pessoas no Maracanãzinho, na final do Festival da TV Excelsior.
Para comprovar essa “invisibilidade histórica” dos artistas de Curitiba, Adherbal tentou achar fotos, filmes ou um frame de vídeo tape daquele momento. Nada sobrou, mas o resgate é feito nas páginas de “Curitiba no tempo do Jazz Band”.


Serviço
Lançamento do livro “Curitiba no Tempo de Jazz Band”, de Adherbal Fortes de Sá Júnior
Data: 27/01/2018
Horário: 16h
Local: Sesc Paço da Liberdade (Praça Generoso Marques, 189 – Centro)

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.