Disco Imigração


O Conservatório de MPB recebe o grupo Terra Sonora que está lançando o oitavo disco de carreira – Imigração – com temas musicais de 21 países da América do Sul, Ásia, África, Europa que imigraram para o Brasil, principalmente para o Paraná. O resultado traz um mosaico sonoro, com 34 composições, que viaja pela música tradicional de várias etnias, ao lado de um material inédito do grupo que foi produzido para o trabalho anterior, Migração, que contemplou a musicalidade de todos os Estados brasileiros. Neste novo disco o Terra Sonora, além dos sete músicos do grupo, contou com a participação de mais 17 instrumentistas convidados e de um coral infantil com 23 crianças do Projeto Garoto Cidadão.
O Terra Sonora formado pelos músicos Rogério Gulin (viola caipira), Plinio Silva (harmônio/flauta doce), Marcela Zanette (flauta transversal), Gabriela Bruel (percussão), Adriano Mottin (concertina), Carla Zago (violino/rabeca) e Liane Guariente (voz) vai trabalhar exclusivamente com composições do CD Imigração.
O músico Plinio Silva, diretor musical do Terra Sonora, conta que a “liga” do Terra Sonora é mais da diversidade geográfica que foi apresentada nos primeiros seis discos de carreira. Ele lembra que no sétimo CD, Migração, gravaram somente músicas brasileiras e no processo de criação daquele disco surgiu a ideia do novo trabalho, Imigração, com temas sobre etnias e culturas que vieram para o Brasil.
Agora esse trabalho traz uma proposta aberta com europeus, africanos, ocidentais, latino americanos em 34 faixas que inclui também temas brasileiros que não foram explorados no Migração – que dá um chão e cenário destas culturas que vieram para cá. Eu não quis gravar só músicas de outras culturas para não ficar parecido com discos anteriores do Terra Sonora. Como eu tinha material não usado no Migração pensei que precisava dar vazão aquele material que naturalmente conversava com a proposta da Imigração” explica.
O processo de seleção de repertório partiu de várias músicas que Plinio recolheu ao longo da trajetória do Terra Sonora. A pesquisa final, foi preparada durante um ano e o encarte do CD traz informações sobre cada um dos temas gravados, com um pequeno verbete explicativo e um mapa apontando os países que foram gravados. Plinio lembra que quando estava selecionando os temas com a “roupa” do Terra Sonora percebeu que eles extrapolavam a sonoridade do grupo e buscou somar outros instrumentos. Foi então que convidou alguns músicos para participarem do projeto. O disco virou uma celebração musical.
A maior parte destes convidados eu já tinha trabalhado antes – em formações como os grupos Bayaka e o Omundô. Nós estamos num momento musical delicado com tudo meio parado e eu chegava para eles e fazia uma proposta sem remuneração, mas em compensação prometia momentos legais e que gostaria que eles participassem. Todos aceitaram e gravamos o disco em um mês”, comemora.
Para Plinio – nas vésperas de completar 25 anos de estrada com o Terra Sonora – esse foi o ápice da sua formação musical. “Representa a continuidade do trabalho do Terra Sonora, com uma série de simbolismos e ainda a aceitação dos músicos participarem acreditando na minha viagem”. No estúdio os convidados ficavam sozinhos para gravar suas participações.
A orientação era me chamar somente quando achavam que tinham gravado a ‘boa’. Era um crédito de confiança. Não houve necessidade de mudar nada. No final percebi que em cada músico havia um sorriso revestido de generosidade”, recorda agradecido. Outro momento muito especial foi a participação de um coral infantil. “Eu convidei minha amiga Ligia Passos, responsável pelo grupo Projeto Garoto Cidadão em Araucária, que veio com um grupo vocal de 23 crianças. Eles gravaram uma música tradicional do Equador que ficou lindo”, elogia.
Sobre cada participação Plinio disse que daria para contar uma história especial. Mas uma das faixas mais emblemáticas deste novo trabalho foi a música da Ilha de Páscoa (Chile). Inicialmente pensada para ser registrada apenas com a viola caipira do Rogério Gulin e voz da Liane Guariente. “Depois que eles gravaram a base eu resolvi colocar uma flauta. E, de repente, me bateu uma saudade intensa do meu irmão – que morreu há oito anos – e foi um dos meus grandes incentivadores. Ele tinha muita vontade de conhecer a Ilha de Páscoa mas não conseguiu. E quando a música começou, ao invés de tocar a flauta, eu comecei a cantar. Um contracanto em cima da voz da Liane. Foi de primeira, no improviso. E deu certo. Eu não sou cantor mas a voz surgiu de forma espontânea, precisa, e no fim eu terminei em lágrimas”, lembra emocionado.
Sobre a trajetória do grupo ele garante que nesses 24 anos há uma cumplicidade muito grande entre os músicos. Uma integração muito legal que faz com que algumas situações musicais se resolvam na hora da gravação. “O Terra é um grupo voltado a busca e pesquisa de repertório. Cada trabalho é um aprendizado – tem que ter uma vocação para fazer música em grupo”, finaliza.
Serviço
Imigração – Lançamento do novo disco do grupo Terra Sonora
Data: 14, 16 e 22/09/2018
Horário: dia 14, às 19 horas, e sábado dia 22, às 12 horas, no Auditório Nhô Belarmino e domingo, dia 16, às 11h30, na Praça Jacob do Bandolim
Local: Conservatório de Música Popular Brasileira (R. Mateus Leme, 66 – Centro Histórico)
Entrada franca
Informações: (41) 3229-4458

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.