“Música boa não tem prazo de validade”

O Teatro Positivo serviu de palco, no dia 09, para a Blitz, banda clássica de rock nacional e que está em turnê para promover o último lançamento, “Aventuras II”, de 2016. Ícone dos anos 80 e considerada uma das precursoras do movimento do rock brasileiro chamado “BRock” ou “Rock Brasil”, o grupo passou por Curitiba e apresentou um show nostálgico e inesquecível.

O show foi marcado pela originalidade e irreverência, o que é característica da banda. O cantor, compositor e um dos membros originais da formação da Blitz, Evandro Mesquita, mostrava-se a todo momento muito atencioso ao público, conversava e esbanjava elogios aos presentes, ao Teatro e, principalmente, à cidade.

Crédito: Fabiano Guma

E os clássicos não ficaram de fora. O grupo presentou os fãs com as famosas “Você Não Soube Me Amar”, “Beth Frígida”, “Weekend”, “A Dois Passos do Paraíso”, “Geme Geme”, entre outras. Tocaram, também, algumas canções do último cd, como, por exemplo, “Nu Na Ilha”, composta em parceria com a banda Os Paralamas do Sucesso, a música “Baile Quente”, em participação com Frejat, e “O Último Cigarro”.

Com o lançamento do “Aventuras II” veio a surpreendente indicação ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa”, em 2017. E não é por menos: o trabalho conta com uma mescla criativa e interessante de gêneros diversos, além de parcerias com artistas renomados, como, por exemplo, Sandra de Sá, Zeca Pagodinho, Seu Jorge, entre outros já mencionados.

O álbum tem seu título inspirado no LP de estreia da banda “As aventuras da Blitz”, lançado em 1982, época em que o meio artístico sofria com dura repressão da censura. Sobre esse momento social e sobre o lançamento do LP da Blitz, o músico e jornalista, Kid Vinil, em sua obra “Almanaque do Rock”, relembra o cenário: “Na época nenhum álbum ia para as lojas sem antes ter a liberação de todas as letras pela censura. As duas últimas músicas do lado B foram censuradas e o disco foi vendido com um adesivo na capa avisando ao consumidor sobre a censura”.

Em entrevista ao Em Cartaz, Mesquita revelou o atual momento do grupo, expondo a filosofia de sempre focar no presente. “Nosso tempo é agora e o show em Curitiba será um dos grandes momentos da nossa trajetória, com alto astral e muito prazer. Somos uma banda clássica, mas nosso tempo é hoje”.

Crédito: Fabiano Guma

Além da nomeação ao Grammy Latino, o Blitz gravou, também em 2017, o Cd e DVD “Blitz no Circo Voador”, em homenagem aos 35 anos de formação do grupo. Questionado sobre o repertório e como foi a preparação para a gravação desse show, Mesquita disse que as músicas da Blitz amadureceram com o passar do tempo, mantendo-se sempre as raízes nos clássicos. “Fazemos o setlist de acordo com cada show. As músicas vão ganhando uma maturidade na estrada e ao longo dos anos, mas a raiz é a mesma. Gostamos de mostrar nossos clássicos e, também, as novas que estamos fazendo agora.”

Com tanto tempo de vida e de estrada, a Blitz foi mais um dos grandes nomes do Rock nacional a passar por Curitiba. O show no Teatro Positivo foi uma demonstração de que, mesmo após tanto tempo, a proposta do grupo de alegrar e descontrair as pessoas continua a mesma de 35 anos atrás. “Música boa não tem prazo de validade”, celebrou Mesquita ao término de uma das músicas, comprovando que a boa música aliada à necessidade de melhorar o humor das pessoas venceu a necessidade da repressão social e da censura.

Crédito: Fabiano Guma

Eduardo Leprevost
Eduardo Leprevost
Eduardo V. Leprevost, o “Duds”, é jornalista e advogado. Com 13 anos de idade descobriu o Heavy Metal e desde então criou interesse não só pelo gênero, mas, também, pelo mundo do Pop e Rock em geral. A música, literatura e o cinema são suas paixões, bem como o universo geek, e sempre que pode participa de encontros e eventos do tema.