Crítica: O Som e a Sílaba

(Crédito: Pedro Jardim)

Você já imaginou que honra ter uma peça escrita especialmente para você? As atrizes Alessandra Maestrini e Mirna Rubin tiveram a honra de terem um texto escrito, por Miguel Falabella, especialmente para elas. A peça “O Som e a Sílaba” desembarcou em Curitiba para fazer rir e emocionar o público curitibano em pleno Feriado da Independência.
O Teatro Fernanda Montenegro teve a honra de receber as atrizes e cantoras em um musical delicado. “O Som e a Sílaba” é aquela peça que todo mundo deveria ver, pois é uma lição de vida em 90 minutos. A montagem conta com Alessandra Maestrini e Mirna Rubin no palco, mas existe um terceiro elemento que faz com que tudo se encaixe o texto de Miguel Falabella.
O musical, que aposta nas canções líricas, apresenta a história de Sarah Leighton, uma mulher com diagnóstico de autismo altamente funcional, que possui habilidades específicas em algumas áreas. Entre seus talentos está a música e para desenvolve-lo ela procura Leonor Delis, professora de canto. ela mora com o irmão casado, mas sente que não se encaixa na organização da casa, tem consciência de suas limitações nas relações pessoais e sabe que precisa romper as barreiras da síndrome para se ajustar ao mundo lá fora. “Gente como eu precisa de duas coisas na vida: De um trabalho e de alguém que lhe estenda a mão”.
Todos nós lidamos com nossos próprios problemas e apesar de não parecer Leonor também tem algo que precisa ser resolvido com ajuda. A professora de canto passa por uma crise pessoal e profissional, mas não consegue encarrar os problemas de frente. A música vai unir essas duas mulheres e esse encontro mudará definitivamente a trajetória de ambas.
Miguel Falabella, diretor e autor, traz muito de si mesmo para a peça. Além de elementos pessoais, o seu conhecimento de arte está implícito na montagem. Esta bagagem somada à atuação e voz de Alessandra Maestrini e a experiência vocal de Mirna Rubin fazem com que “O Som e a Sílaba” encante do começo ao fim.
Além do enredo que nos faz mergulhar no drama pessoal de cada personagem, a canção é um elemento fundamental que dá vida aos desenvolvimentos. Elas interpretam trechos de óperas como Vissi D’Arte” , de Giacomo Puccini, “Je Veux Vivre”, de Charles Gounod, “Quando M’En Vo”, de “La Bohème”, “Oh Mio Babbino Caro”, de “Gianni Schicchi”, “Chi Il Bel Sogno Di Doretta”, ópera de “La Rondine” e “Viens, Mallika, Les Lianes Na Fleurs”, de Leo Delibes.
A personagem Sarah diz a Eleonor “Eu não tinha uma opção! Era você ou você!” e garanto você não tem opção precisa assistir a esta comédia musical! Ele representa um pouco de todos nós em algum momento em que buscamos sempre pelo encontro.
O Som e a Sílaba” é empatia pura, dentro e fora do palco. As atrizes Alessandra Maestrini e Mirna Rubin receberam a equipe do Em Cartaz antes da apresentação e contaram um pouco sobre o processo de criação do espetáculo. Confira:

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.