Habitat – Estudos Do Corpo Como Casa

A Súbita Companhia de Teatro está completando 12 anos e para comemorar apresenta um novo trabalho inédito que foi criado a partir de uma ideia, sem ter o texto ou a dramaturgia como base. Janaina Matter, PablitoKucarz, Helena de Jorge Portela, Conde Baltazar e Victor Hugo partiram praticamente do zero para dar corpo ao projeto Habitat.  A estreia será nesta quarta-feira, 13, no Teatro José Maria Santos. A temporada seguirá até dia 24, com dois solos por dia, às 19h e às 21h.
Foram três meses de processo colaborativo cuja proposta era investigar o próprio corpo como casa, como lugar de atravessamento de questões poéticas, políticas e estéticas, como lugar que se habita e cuja existência se revela em suas múltiplas dimensões. Cada artista encontrou suas próprias respostas e construiu a dramaturgia do seu trabalho solo orientados pela diretora e dramaturga Camila Bauer de Porto Alegre (RS). A direção geral do projeto é de Maíra Lour. “Trata-se de um trabalho bastante autoral e minha principal contribuição tem sido viabilizar cenicamente cada ideia, potencializando a criação de cada artista e entendendo o processo criativo de cada um”, conta a diretora.
Além deste olhar amplo, cada ator e atriz teve a oportunidade de convidar um artista interlocutor para dialogar separadamente com seu trabalho durante a criação. Colaboraram: Francisco Mallmann, GladisTridapalli, Kátia Drummond, Lígia Oliveira e Ricardo Marinelli.
Em cena surgem múltiplos corpos: o corpo mulher, o corpo cicatriz, o corpo mãe, pai, filho, filha, o corpo morte, água, pedra, barco, fuga, o corpo afrofuturista, ficção, o corpo que não é, a falta. “Habitat é um momento importante para a Súbita, pois permite reconhecermo-nos como indivíduos e como coletivo”, reflete Maíra.“Este projeto nos move como grupo a partir dos interesses artísticos individuais, o desenvolvimento desta pesquisa nos trouxe a possibilidade de criarmos trabalhos com proposições estéticas muito diferentes, que afirmam as várias potências de criação presentes na companhia”, completa.

(Crédito: Elenize Dezgeniski)

Sobre os solos:
Janaina Matter / Mulher, Como Você Se Chama?
Este solo parte de uma inquietação em relação ao apagamento das mulheres na história do mundo. De um contexto amplo até a aproximação com a intimidade da atriz e das mulheres da família, o espetáculo ressignifica nomes e feitos históricos como forma de reviver, resgatar, enaltecer e corporificar a presença das mulheres no passado, no presente e sensibilizar sua força para o futuro.
Esse solo é uma busca de encontro entre o que já foi, o que é e o que pode ser. É um movimento de falar de onde eu vim pra tentar entender se silêncio é abismo ou ponte. É para chamar toda mulher que já passou por aqui e as que aqui estão.

Pablito Kucarz / O Arquipélago
Quanto tempo o corpo leva para cicatrizar? O que esta cicatriz pode dizer sobre quem você é? Solo autoral do ator PablitoKucarz, a peça traça um retrato familiar e seus conflitos a partir de marcas na pele e na memória.
Um homem em pé, em uma sala, com um copo d’água na mão. Ele está sobre um pedaço de terra no litoral que começa a sofrer erosão, provocada pela ação de correntes marítimas. O solo vai se desgastando e, com o tempo, o buraco é tão grande que este pedaço de terra se distancia do continente na superfície, apesar de continuarem unidos no fundo do mar. Esta peça é sobre atravessar a água salgada.

Helena De Jorge Portela / Foi Assim Que O Oceano Invadiu A Minha Casa
Uma história sobre duas atrizes, que em uma tarde como qualquer outra, tiveram suas vidas separadas pelo mar. O mar que carrega o luto e a dor. Um espetáculo solo que tenta agarrar o tempo com as mãos. Mãe e filha à deriva no oceano. “Se você me desse mais um segundo…” O que vc faria se tivesse mais tempo? A vida não tem ensaio.
Espetáculo bilíngue (Libras e Português)

Conde Baltazar / Uma História Só
Meu corpo é uma casa que é vizinha da casa do meu filho. Um homem, um pai, conta através do seu corpo esburacado, sua relação com a infância, seu pai, seu avô…. Um buraco que começou pequeno, uma falta quase invisível e a ausência se instalou na carne e o silêncio se tornou uma mochila para guardar as memórias dos dias.
A paternidade é esse labirinto, infinito, com zonas de descanso. Nenhum filho se deixar moldar à vontade dos pais. É uma história sobre pequenas coisas; a vontade de andar de trem, de conhecer o mar e também sobre a falta, quando não dá para se despedir.

Victor Hugo / Pirataria
Uma tentativa de fuga, um escape, uma mensagem codificada, uma corrente. gritaria. a pele, o maior órgão do corpo. um vírus. você acha que eu estou ficando louco? você vai me deixar aqui? Uma ficção visionária, um holograma, arquivo oculto, um corpo no espaço.

Programação:
Quarta-feira (13/02)
19hO ARQUIPÉLAGO / PablitoKucarz
21hFOI ASSIM QUE O OCEANO INVADIU A MINHA CASA / Helena de Jorge Portela

Quinta-feira (14/02)
19hUMA HISTÓRIA SÓ / Conde Baltazar
21hMULHER, COMO VOCÊ SE CHAMA?/ Janaina Matter

Sexta-feira (15/02)
19hFOI ASSIM QUE O OCEANO INVADIU A MINHA CASA / Helena de Jorge Portela
21hPIRATARIA / Victor Hugo

Sábado (16/02)
19h MULHER, COMO VOCÊ SE CHAMA? / Janaina Matter
21h O ARQUIPÉLAGO / PablitoKucarz

Domingo (17/02)
19h PIRATARIA / Victor Hugo
21h UMA HISTÓRIA SÓ / Conde Baltazar

Quarta-feira (20/02)
19hPIRATARIA / Victor Hugo
21hMULHER, COMO VOCÊ SE CHAMA? / Janaina Matter

Quinta-feira (21/02)
19hFOI ASSIM QUE O OCEANO INVADIU A MINHA CASA / Helena de Jorge Portela
21hUMA HISTÓRIA SÓ / Conde Baltazar

Sexta-feira (22/02)
19h MULHER, COMO VOCÊ SE CHAMA? / Janaina Matter
21h O ARQUIPÉLAGO / PablitoKucarz

Sábado (23/02)
19hUMA HISTÓRIA SÓ / Conde Baltazar
21hFOI ASSIM QUE O OCEANO INVADIU A MINHA CASA / Helena de Jorge Portela

Domingo (24/02)
19hO ARQUIPÉLAGO / PablitoKucarz
21hPIRATARIA / Victor Hugo

Serviço
HABITAT – Estudos do Corpo como Casa (5 solos)
Data:De 13 a 24/02/2019
Horário: 1º horário: 19h 2º horário: 21h
Local: Teatro José Maria Santos (R. Treze de Maio, 655 – São Francisco)
Gratuito
Classificação: 16 anos
Informações: 41 3324 8208

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.