TEATRO: A Visita da Velha Senhora

(Crédito: Caca Bernardes)

O Guairinha recebe no último final de semana do Festival de Curitiba a peça “A Visita da Velha Senhora” com Denise Fraga e Tuca Andrada. A mostra 2018 traz texto de Friedrich Dürrenmatt que expõe a fragilidade da justiça e da esperança. “Encenar ‘A Visita da Velha Senhora’ depois de ‘A Alma Boa e Galileu’ é quase como finalizar uma trilogia”, diz Denise Fraga.
Em “A Alma Boa de Setsuan”, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220.000 pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?
Em “Galileu Galilei”, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140.000 pessoas, o tema foi revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?
Agora chega “A Visita da Velha Senhora”, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.
O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta. Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.
Dürrenmatt caracteriza “A Visita da Velha Senhora” como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais? Por outro lado, quanto nos custa a não submissão? O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão.
A direção é do cineasta Luiz Villaça, que, depois do sucesso de “Sem Pensar”, de Anya Reiss, e “A Descida do Monte Morgan”, de Arthur Miller, retorna mais uma vez ao teatro.
Serviço
Data: 07 e 08/04/2018
Horário: Sábado, 21h e domingo, às 19h
Local: Guairinha
Ingresso: R$70 (inteira) e R$ 35 (meia)

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.