TEATRO: Os 50tões

O Teatro José Maria Santos recebe entre os dias 10 a 13 de outubro a peça “Os 50tões” em curta temporada. O espetáculo de teatro-dança reúne atores, músicos, produtores com a proposta desmistificar alguns conceitos sobre o envelhecer, bem como democratizar o acesso à cultura e ao teatro, com a apresentação de cenas em LIBRAS.

O espetáculo tem como pano de fundo o alvorecer da terceira idade, refletindo sobre as questões relacionadas ao envelhecimento, no contexto da sociedade atual, com apoio de textos de Herberto Helder, Antônio Francisco, Augusto dos Anjos.

Segundo o diretor Octavio Camargo, “ao realizarmos esta peça, esta festa baile, procuramos contemplar os questionamentos que ocorrem aos recém-chegados ao limiar do crepúsculo, refletindo sobre os aspectos positivos e negativos do envelhecimento, atentos às sombras e desafios que cercam nossa contemporaneidade”, comenta o diretor.

“Fazer cinquenta anos é um marco na vida de qualquer um. É uma conquista e tanto chegar a meio século de idade, digna de festejo e buscapés. É prova de que resistimos a um número de intempéries que deixou grandes campeões para trás. É quando as ilusões primárias sobre nós mesmos e sobre o mundo já acabaram e o pensamento se volta às questões práticas da vida. A disposição não é mais a mesma, o cansaço vem mais rápido, a paciência se esgota facilmente. Entre as preocupações diárias de um cinquentão é comum figurar a celebre questão: Como vai ser lá na frente, se tiver a sorte de chegar tão longe? Quem vai cuidar de mim quando eu não puder mais fazê-lo?”, explica Octavio Camargo.

Além dos medos, receios e inseguranças daqueles que estão (ou se aproximam) da terceira idade, há também diversas vantagens trazidas pelas experiências proporcionadas pelo viver. “Tudo depende do olhar. Presume-se que a pessoa começa a valorizar mais a voz do que a facha. Admirar o charme e a conversa mais do que a posição ou poder. Se incomodar menos com quinquilharias, não perder tempo com bobagens, ser mais razoável, valorizar a saúde, se apegar ao que é realmente importante. Enfim, o cinquentão se julga alguém um pouco mais preparado para a vida, inda que seja apenas um pote de leite coalhado”, argumenta Camargo.

A Cia Radicalidade desenvolveu uma dramaturgia que inclui cenas com música, dança e poesia em Língua Brasileira de Sinais. “Buscamos inspiração em Simone de Bouvoir, que soube cantar lindamente o entardecer; em Augusto dos Anjos, que na Olimpíada da vida partiu aos 30 anos mal completos, mas deixou versos iluminados; no decano Bob Dylan; em Helberto Helder, o português que chegou à marca dos 85 e em Antônio Francisco, de Mossoró, que aos 68 anos diz que ainda não tem toda essa idade. Incluímos também o melhor que encontramos na filosofia sobre a perspectiva agnóstica do além: A Roca do Destino e a promessa de um ciclo interminável de morte e renascimento, como está descrito na República de Platão”, destaca Octavio.

No elenco estão Christiane de Macedo, Raquel Rizzo, Chiris Gomes, Fernando Marés, Octavio Camargo, Rodrigo Augusto Ribeiro, Eliane Campelli e Marisia Brüning, que dão vida a coreografias com música original e textos desenvolvidos pelo grupo. O espetáculo conta, ainda, com direção de Octavio Camargo, iluminação de Beto Bruel, cenografia de Fernando Marés, figurino de Ranieri Gonzalez, arte gráfica de Luiz Retamozzo e Eldo Ferreira, fotografia e documentação de Gilson Camargo, e tradução em LIBRAS de Jonatas Medeiros.

As participações musicais, interpretando a trilha sonora, incluem os músicos Sergio Albach, Odacir Mazzarollo, João Mello, Gabriel Schwartz, Denis Mariano e Hélio Brandão.

Serviço

Espetáculo “Os 50tões”

Data: De 10 a 13/10/2019

Horários: de quinta a sábado às 20h e domingo, às 19h.
Local: Teatro José Maria Santos (
Rua 13 de Maio, 655, São Francisco)

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.