Tom na Fazenda

(Crédito: José Limongi)

O Festival de Curitiba recebe dentro da Mostra 2018 a peça “Tom na Fazenda” que foi indicado a 39 prêmios. O espetáculo foi idealizado pelo ator e produtor Armando Babaioff, que também assina a tradução. Babaioff ficou arrebatado pelo texto que aborda a inabilidade do indivíduo para lidar com o preconceito, a impotência, a violência e o fracasso. A peça é baseada no original “Tom à la Farme”, do autor canadense Michel Marc Bouchard.
Na história, após a morte do seu companheiro, o publicitário Tom (Armando Babaioff) vai à fazenda da família para o funeral. Ao chegar, ele descobre que a sogra (Kelzy Ecard) nunca tinha ouvido falar dele e tampouco sabia que o filho era gay. Nesse ambiente, o protagonista é envolvido numa trama de mentiras criada pelo irmão (Gustavo Vaz) do marido falecido, estabelecendo com aquela família relações de complicada dependência. A fazenda, aos poucos, vira cenário de um jogo perigoso.
A peça, assim, conta uma história bastante comum entre jovens de várias gerações, mesmo de culturas diferentes. No Canadá, no Brasil, no Oriente Médio, no Japão ou na África do Sul, homens e mulheres jovens aprendem a mentir antes mesmo de aprenderem a amar. As famílias, guardiãs das normas sobre a sexualidade, garantindo sempre a heteronormatividade, inserem nos próprios membros a semente da homofobia.
Todo redemoinho que devastará a vida dos que fogem das normas surge no núcleo de suas próprias”, comenta Rodrigo Portella, que opta, mais uma vez por uma encenação com poucos elementos para que as sutilezas das relações propostas pelo texto se sobressaiam. “Bouchard compôs uma obra de estrutura impecável. Ele vai fundo nas contradições dos seus personagens, o que os torna muito próximos de nós”.
Serviço
Data: 07 e 08/04/2018
Horário: Sábado, 21h e domingo, 19h
Local: Teatro da Reitoria
Ingresso: R$70 e R$35 (meia)

Tamie Ono Lor
Tamie Ono Lor
Tamie é jornalista e possui especialização em Novas Tecnologias da Comunicação. Ela está sempre querendo absorver um pouco do mundo que a cerca, de preferência com uma câmera na mão. A oriental respira cultura e seu trabalho é também sua diversão.